sábado, 25 de outubro de 2008
Os fins da evolução
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Sem pobreza e, ainda, com liberdade
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
O valor de uma vida humana
sábado, 27 de setembro de 2008
A justiça da armadilha

Assim como nunca desmaiei, também nunca fui assaltado. Não sei se tomo algum cuidado em especial, mas felizmente, isso nunca me aconteceu. E se acontecesse, não sei o que iria fazer. Se por um lado ia tentar deixar o assaltante o mais calmo possível – embora não pareça, muitas mortes acontecem mais por causa do nervosismo do bandido do que pelo da vítima – também acho que tentaria convencer ele a não levar coisas como meus documentos ou o MP3 player.
Mas algo que eu sentiria depois de ser assaltado, com certeza seria indignação. Creio que todos que já foram assaltados tenham ficado com uma extrema raiva do ladrão, seja por ele ter levado uma grande quantia, seja pelos problemas que ele causou ao levar também os documentos (coisa que não é rara), seja pela injustiça do crime em si. E acompanhada dessa raiva, vêm o desejo de justiça (ou seria vingança?).
Isso me lembra outra situação, ilustrada por uma foto que circulou (e talvez até circule ainda) pelos e-mails da vida há um tempo atrás. Supostamente, um ladrão tentou roubar algo pendurando-se num fio de alta tensão (não sei se eram os cabos em si). O resultado foi a carbonização completa de seu corpo.
Confesso que pensei “bem feito!”, como acredito que muitos que tenham visto a foto também tenham pensado. O bandido (supondo-se que a vítima realmente o era) não devia ter feito aquilo – o fez e pagou por sua transgressão com a própria vida. Embora não fosse esse o intuito da alta tensão do cabo, o ladrão acabou caindo numa armadilha.
O que é uma armadilha? Podemos entender a mesma como algo especificamente feito para capturar algo ou alguém, ou podemos entende-la como um mecanismo concebido para proteger algo ou alguém de um invasor ou agressor (talvez num sentido mais “RPGístico” da palavra). Mas, além desses dois significados, e se entendermos a armadilha como algo que possa fazer justiça?
Vamos supor outro caso. Uma cerca eletrificada no perímetro de uma propriedade. Não tenho certeza se esse tipo de proteção produz um choque que possa matar um invasor, mas suponhamos que sim. Se um bandido fosse vitimado por essa cerca ao tentar entrar na propriedade, alguém se levantaria em sua defesa? Eu acredito que não. O senso comum é que aquele sujeito não devia estar fazendo o que estava fazendo – se seguisse as leis, não teria morrido eletrocutado. Claro que devemos aqui abstrair o caso de, por exemplo, crianças correndo o perigo de se eletrocutar também.
Aonde quero chegar: a armadilha representa uma forma de justiça que parece perfeita. É a justiça feita à sua maneira, é como se você estivesse fazendo justiça com as próprias mãos, e totalmente dentro da lei. Além disso, é automática. E tudo isso “montado” antes do culpado ter um rosto e cometer o crime. Mas mais que isso, a armadilha talvez revele qual pena achamos correta apenas no nosso inconsciente.
A última suposição precisa de mais um exemplo. Vamos imaginar um criminoso qualquer, digamos um ladrão. E vamos pensar que temos que penaliza-lo, mas estando em diferentes níveis de decisão.
Primeiro, vamos nos situar como o executor desse bandido. Pode ser o clássico carrasco com o machado ou mesmo o doutor de jaleco, prestes a aplicar a injeção letal. Mas além disso, vamos imaginar uma sociedade teórica em que cabe ao executor a decisão final de matar ou não o culpado – apenas para dar todo o poder de decisão a nós mesmos. Pessoalmente, acho que é uma decisão muito difícil. Por mais que seja um criminoso, cabe a nós não só escolher se ele vive ou morre, mas efetivamente mata-lo.
Agora, passando para outro nível. Fazemos parte do júri popular que pode condenar esse criminoso. Não somos nós que efetivamente damos o que seria o “golpe final”, mas decidimos efetivamente se ele vive ou morre. A decisão não é tão difícil quanto no primeiro caso, mas ainda assim, pelo menos eu não tenho certeza do que faria.
No terceiro nível, somos o que somos fora de todas essas suposições, os cidadãos. “Você defende a pena de morte?”, é a pergunta que cabe nesse caso. Se entendermos os cidadãos como parte da sociedade, entenderemos que de certa forma estamos decidindo se o criminoso merece morrer ou não, simplesmente discutindo numa roda de amigos. Alguns diriam sim, outros ficariam indecisos – mas de fato, é mais fácil tender para a decisão de executar o criminoso que nas outras situações.
Finalmente, no caso da armadilha. O mecanismo da armadilha, do criminoso pagar automaticamente pela sua transgressão, nos livra de qualquer espécie de decisão (mas não podemos esquecer que, de certa forma, já decidimos pela execução ao “montar” a armadilha). Minha teoria é a de que a armadilha nos traz uma impessoalidade com relação ao bandido, que não temos nos casos antes descritos. Como eu já disse, não conhecemos sua face e ele nem cometeu o crime ainda. Além disso, nos justifica aplicar a pena de morte talvez até para um caso que não seja grave – o do ladrão invadindo a casa, por exemplo. E essas seriam, talvez, as respostas que acharíamos justas em nosso inconsciente para com aqueles que transgridem a lei.
sábado, 30 de agosto de 2008
Existência
http://www.tenthdimension.com/medialinks.php
A primeira vez que ouvi falar que o universo não teria apenas quatro dimensões (as três espaciais e o tempo), mas sim dez, fiquei extremamente confuso e pensei "Nossa, nunca vou entender isso, deve ser algo muito complicado e teórico". E ontem, vi esse vídeo, que apesar de não conter a explicação "oficial" para a teoria das dez dimensões, tem bastante lógica (pelo menos nas partes que eu entendi), e é muito interessante.
Na verdade, depois de escrever o segundo post do blog, passei a pensar se não seriam as possibilidades a quinta dimensão, seguinte ao tempo. Várias linhas do tempo diferentes, cada uma contendo os desdobramentos de uma escolha ou possibilidade em toda a história do universo, comporiam essa dimensão. Mas no vídeo, pelo que eu entendi, o autor da idéia considera duas dimensões a partir desse conceito: a quinta seria composta de todas as linhas do tempo possíveis a partir do instante em que estamos, enquanto uma sexta dimensão considera todas as linhas do tempo possíveis a partir de qualquer momento da história do universo, o que não deixa de fazer sentido.
Continuando com o conceito que ele usa desde o começo, de imaginar todas as dimensões anteriores como apenas um ponto da dimensão seguinte, vem o conceito da sétima dimensão. "Nosso" ponto na sétima dimensão seria composto por todas as linhas de tempo possíveis desde nosso Big Bang, até o fim do universo. Um outro ponto nessa dimensão seria todas as possibilidades num universo que começasse de uma maneira diferente - com as regras da física diferentes, pelo que eu entendi. Por exemplo, um universo com fundo amarelo-gema por algum motivo. Daí, traçando uma linha entre os dois pontos, teríamos a sétima dimensão.
Nesse momento que não entendi ao certo como o autor concebe as oitava e nona dimensão. Acho que ele quer dizer que a linha que traçamos na sétima dimensão representa a diferença gradual entre os dois pontos que temos. As duas dimensões seguintes seriam talvez para outros parâmetros de diferenciação de condições iniciais? Não sei ao certo.
No final do vídeo o autor chega à décima dimensão novamente com um ponto, contendo todos os universos que possam ser iniciados, cada um contendo todas as linhas possíveis de se desdobrarem, cada linha com as dimensões espaciais e a temporal, da qual somos mais íntimos. E daí, não há mais para onde ir.
Se o universo, sua grandeza, beleza e mais tantos outros adjetivos já não fosse suficiente, temos aí algo ainda mais fascinante. Não haveria apenas as dimensões espaciais, não haveria apenas o tempo. Haveria uma infinitude de linhas do tempo possíveis a partir do momento em que estamos, e a partir de todos os momentos que já se passaram, respectivamente nas quinta e sexta dimensões. E isso só para nosso universo, ainda haveria aqueles que conseguimos ou não imaginar, nas sétima, oitava e nona dimensão, baseando-se em condições diferentes para seus inícios.
Seria então a existência o topo de tudo, no final das contas?
sábado, 21 de junho de 2008
Poder de polícia
Poder de polícia: é o poder do Estado que permite restringir as liberdades individuais em nome do bem coletivo.Bem, vamos por partes pra ficar mais organizado. Decidi discutir esse tema depois do post do Thiago da semana passada, intitulado "Consumo Consciente?". De certa forma é um comentário desse post, embora eu queira aqui discutir a solução do problema, e não o problema em si.
Primeiro de tudo, concordo com a maioria das afirmações (embora sem compartilhar da mesma revolta). As cidades são realmente espaços finitos, com concentrações cada vez maiores de pessoas e, por conseqüência, de carros. Com o crescimento da renda, as classes de renda mais baixa tendem a abandonar o transporte coletivo e passar a usar automóvel. Mas aqui, eu acho que essa é, infelizmente, uma tendência natural das pessoas. Dificilmente, na possibilidade de usar o carro, elas optarão pelo transporte coletivo - para que isso acontecesse, seria necessário que o transporte coletivo tivesse muita qualidade, e/ou o uso do carro fosse menos compensador.
Eu não acredito que as pessoas sejam conscientes quanto ao coletivo. Talvez elas sejam, mas só um pouco - não o suficiente para que façam sacrifícios em nome do resto da cidade.
Além disso, li uma frase do Maluf (não se preocupem, não sou malufista, e acredito que felizmente o ex-prefeito está inelegível pelas grandes massas, o que é algo tranqüilizante para mim, vide o que eu penso sobre as eleições), que dizia "Carro é liberdade". Tenho que concordar. Não só no sentido de ir pra qualquer lugar que se desejar a qualquer momento, como no sentido da liberdade de se adquirir o que se quiser (ou melhor, puder pagar).
Independente de tudo isso, o problema nos transportes continua. Partindo das hipóteses que não se pode confiar que a consciência das pessoas quanto ao coletivo mude (pelo menos a curto prazo), e que a liberdade das pessoas deve existir, como solucionar esse problema?
Eu proponho, justamente, o "poder de polícia". Se a situação chega a um ponto que prejudica o coletivo, que sejam tomadas medidas, mesmo que sejam drásticas, para reverter isso. Aumento nos impostos, no IPVA talvez? Se um carro é capaz de comportar 4 pessoas quando só comporta uma, não seria, na teoria, mais justo que o dono desse carro pagasse, vamos dizer, quatro vezes mais? Quem sabe, uma taxação inteligente, variável diante do nível de saturação das vias da cidade? Talvez a ampliação do rodízio (essa semana mesmo, fiquei sabendo que caminhões pequenos estariam nele incluídos).
Imediatamente, haveriam reduções no uso do carro na cidade. Embora também houvesse maior demanda pelo já superlotado transporte coletivo, surgiria com essa demanda, a revolta generalizada da população, ansiando por um melhor sistema de transportes.
O ponto desse texto é o seguinte: as pessoas não são conscientes, e se já é difícil mudar a cabeça de uma pessoa, que dirá de milhões. Mas elas ainda respondem a incentivos - mesmo que eles sejam negativos. Dou aqui como exemplo, um caso que ouvi numa aula: em Los Angeles, as pessoas só passaram a demandar o transporte coletivo com a alta do petróleo (que aqui não foi repassada aos motoristas). Um outro exemplo, numa outra esfera, seria o Bolsa-Família. Uma cesta básica (creio que seja isso) por ter um filho, não é um incentivo ao crescimento populacional, e conseqüentemente um problema adicional aos sistemas de saúde e educação, já saturados e de baixa qualidade? Por que, ao invés disso, não incentivar o controle de natalidade? Talvez o Bolsa-Vasectomia ou o Bolsa-Trompas-de-Falópio (ou Ligadura-de-Trompas, mas o primeiro me parece mais engraçado)? Ou melhor, mesmo um benefício cumulativo pelo tempo em que uma família permanece sem filhos. Não seria essa uma boa forma de incentivar as pessoas, mantendo a liberdade delas?
Em resumo, por mais controlador que isso seja, eu proponho que a sociedade seja controlada, ou no mínimo melhor incentivada (positivamente ou negativamente), em prol do bem coletivo. Afinal, é por vivermos em sociedade que temos grande parte dos benefícios aos quais nos acostumamos. Deve haver alguém que zele por ela - se não forem as próprias pessoas, que seja quem está acima dela.
Agora, o problema é quem está acima dela.