
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Vítimas de muitos erros?

quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Sem pobreza e, ainda, com liberdade
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
O valor de uma vida humana
sábado, 27 de setembro de 2008
A justiça da armadilha

Assim como nunca desmaiei, também nunca fui assaltado. Não sei se tomo algum cuidado em especial, mas felizmente, isso nunca me aconteceu. E se acontecesse, não sei o que iria fazer. Se por um lado ia tentar deixar o assaltante o mais calmo possível – embora não pareça, muitas mortes acontecem mais por causa do nervosismo do bandido do que pelo da vítima – também acho que tentaria convencer ele a não levar coisas como meus documentos ou o MP3 player.
Mas algo que eu sentiria depois de ser assaltado, com certeza seria indignação. Creio que todos que já foram assaltados tenham ficado com uma extrema raiva do ladrão, seja por ele ter levado uma grande quantia, seja pelos problemas que ele causou ao levar também os documentos (coisa que não é rara), seja pela injustiça do crime em si. E acompanhada dessa raiva, vêm o desejo de justiça (ou seria vingança?).
Isso me lembra outra situação, ilustrada por uma foto que circulou (e talvez até circule ainda) pelos e-mails da vida há um tempo atrás. Supostamente, um ladrão tentou roubar algo pendurando-se num fio de alta tensão (não sei se eram os cabos em si). O resultado foi a carbonização completa de seu corpo.
Confesso que pensei “bem feito!”, como acredito que muitos que tenham visto a foto também tenham pensado. O bandido (supondo-se que a vítima realmente o era) não devia ter feito aquilo – o fez e pagou por sua transgressão com a própria vida. Embora não fosse esse o intuito da alta tensão do cabo, o ladrão acabou caindo numa armadilha.
O que é uma armadilha? Podemos entender a mesma como algo especificamente feito para capturar algo ou alguém, ou podemos entende-la como um mecanismo concebido para proteger algo ou alguém de um invasor ou agressor (talvez num sentido mais “RPGístico” da palavra). Mas, além desses dois significados, e se entendermos a armadilha como algo que possa fazer justiça?
Vamos supor outro caso. Uma cerca eletrificada no perímetro de uma propriedade. Não tenho certeza se esse tipo de proteção produz um choque que possa matar um invasor, mas suponhamos que sim. Se um bandido fosse vitimado por essa cerca ao tentar entrar na propriedade, alguém se levantaria em sua defesa? Eu acredito que não. O senso comum é que aquele sujeito não devia estar fazendo o que estava fazendo – se seguisse as leis, não teria morrido eletrocutado. Claro que devemos aqui abstrair o caso de, por exemplo, crianças correndo o perigo de se eletrocutar também.
Aonde quero chegar: a armadilha representa uma forma de justiça que parece perfeita. É a justiça feita à sua maneira, é como se você estivesse fazendo justiça com as próprias mãos, e totalmente dentro da lei. Além disso, é automática. E tudo isso “montado” antes do culpado ter um rosto e cometer o crime. Mas mais que isso, a armadilha talvez revele qual pena achamos correta apenas no nosso inconsciente.
A última suposição precisa de mais um exemplo. Vamos imaginar um criminoso qualquer, digamos um ladrão. E vamos pensar que temos que penaliza-lo, mas estando em diferentes níveis de decisão.
Primeiro, vamos nos situar como o executor desse bandido. Pode ser o clássico carrasco com o machado ou mesmo o doutor de jaleco, prestes a aplicar a injeção letal. Mas além disso, vamos imaginar uma sociedade teórica em que cabe ao executor a decisão final de matar ou não o culpado – apenas para dar todo o poder de decisão a nós mesmos. Pessoalmente, acho que é uma decisão muito difícil. Por mais que seja um criminoso, cabe a nós não só escolher se ele vive ou morre, mas efetivamente mata-lo.
Agora, passando para outro nível. Fazemos parte do júri popular que pode condenar esse criminoso. Não somos nós que efetivamente damos o que seria o “golpe final”, mas decidimos efetivamente se ele vive ou morre. A decisão não é tão difícil quanto no primeiro caso, mas ainda assim, pelo menos eu não tenho certeza do que faria.
No terceiro nível, somos o que somos fora de todas essas suposições, os cidadãos. “Você defende a pena de morte?”, é a pergunta que cabe nesse caso. Se entendermos os cidadãos como parte da sociedade, entenderemos que de certa forma estamos decidindo se o criminoso merece morrer ou não, simplesmente discutindo numa roda de amigos. Alguns diriam sim, outros ficariam indecisos – mas de fato, é mais fácil tender para a decisão de executar o criminoso que nas outras situações.
Finalmente, no caso da armadilha. O mecanismo da armadilha, do criminoso pagar automaticamente pela sua transgressão, nos livra de qualquer espécie de decisão (mas não podemos esquecer que, de certa forma, já decidimos pela execução ao “montar” a armadilha). Minha teoria é a de que a armadilha nos traz uma impessoalidade com relação ao bandido, que não temos nos casos antes descritos. Como eu já disse, não conhecemos sua face e ele nem cometeu o crime ainda. Além disso, nos justifica aplicar a pena de morte talvez até para um caso que não seja grave – o do ladrão invadindo a casa, por exemplo. E essas seriam, talvez, as respostas que acharíamos justas em nosso inconsciente para com aqueles que transgridem a lei.
sábado, 28 de junho de 2008
Apocalipse Múltiplo - parte 1
À época, o presidente dos EUA era o democrata Barack Obama. Pouco mais de três anos de sua eleição, as tropas americanas já haviam sido retiradas do Iraque, como havia sido prometido durante a campanha. Apesar dessa ação aparentemente consciente, o anti-americanismo no mundo todo continuava. Por outro lado, era acompanhado da pressão sobre o governo por parte do povo da nação, cada vez mais insatisfeito com os preços progressivamente mais altos do petróleo.
Na manhã daquele inverno, mais precisamente nos céus próximos ao Central Park, a 2350 metros do ponto onde, em 11 de setembro de 2001, haviam sido atingidas as torres do World Trade Center, um artefato nuclear de pequenas proporções foi detonado. Mais uma vez, o atentado foi obra do terrorista Osama Bin Laden. E os radicais islâmicos novamente haviam sido engenhosos: foi usado um balão para colocar a bomba na altitude que causasse o maior número de vítimas possível, sendo que esse balão trazia uma mensagem de aparente repúdio à retirada das tropas do Iraque. O propósito da mensagem era evitar que o bolão fosse abatido antes da hora – o governo estava receoso em reprimir duramente esse tipo de manifestação, afinal, muitos americanos já haviam sido presos ou mortos por se revoltar contra a desocupação do Iraque, o que provocou grande queda na confiança no governo. O preço desse erro foi grande: 86 mil mortos na hora.
O sentimento de vingança, aliado com as preocupações provindas da crise econômica, tomou conta dos americanos, e a eleição do antigo governador da Califórnia já estava garantida. De fato, na prática ele já havia se tornado o presidente com o discurso de 7 de janeiro.
Uma extensa campanha militar, cujo alvo principal era o Irã, se iniciou em meados de 2013. O que os americanos não contavam era com o repúdio, dessa vez muito mais intenso, por parte da ONU e mais especificamente da China, que acusavam os EUA diretamente de querer ocupar os campos de petróleo de todo o Oriente Médio, sejam eles de países aliados, que “hospedavam” as tropas, ou de inimigos.
Mas a maior surpresa veio da resistência dos países islâmicos. Dezenas de milhares de soldados americanos morreram em poucos meses. Os Estados Unidos passaram a suspeitar do suporte da China aos países resistentes.
Em 2016, quando a contagem de mortos passava das centenas de milhares de militares americanos e de milhões de civis asiáticos, o governo americano, impaciente, tomou a decisão crucial: usar armas nucleares. Alvos supostamente estratégicos foram aniquilados. A sede de sangue das massas americanas, pelo menos naquele momento, foi saciada.
Porém, a resposta veio na mesma moeda. As “nações terroristas” detonaram armas nucleares nas capitais ocupadas, principalmente naquelas que seriam pontos-chave para a extração do petróleo do Oriente Médio, como o Kwait. Os Estados Unidos imediatamente acusaram a China de fornecer essas armas aos resistentes.
A guerra nuclear devastou o subcontinente do Oriente-Médio. Ao todo, foram 29 armas atômicas detonadas, sendo 21 por parte dos americanos. Em meados de 2019, a radiação acumulada já chegava a afetar uma parte da Índia. Estima-se que 90 milhões de pessoas tenham morrido no conflito, quando os Estados Unidos retiraram as tropas definitivamente da região, deixando para trás apenas um deserto estéril.
A década de 2020 apresentou os primeiros sinais das mudanças climáticas mundiais, iniciadas pelo desenvolvimento industrial dos séculos 19 e 20 e catalisadas pela guerra nuclear no Oriente Médio. As áreas de desertificação, como o centro dos EUA, o nordeste brasileiro e o norte da África cresceram e se tornaram ainda mais quentes e secas, enquanto as temperaturas na Europa caíram surpreendentemente. Os recordes de frio e calor foram batidos sucessivamente.
No final da década, mais precisamente a partir de 2028, uma empresa privada surpreenderia o mundo com um crescimento sem igual. A Corporação Axis, centrada em desenvolvimentos tecnológicos em geral (mas com uma ampla gama de outras atividades), conquistaria o globo em três diferentes “frentes”:
A primeira, foi o desenvolvimento de micro-reatores nucleares funcionais, que poderiam ser usados para prédios, residências, e até mesmo veículos de grande porte. Num mundo com petróleo cada vez mais raro e por conseqüencia caro, a nova tecnologia foi extremamente bem-recebida, gerando altos dividendos para a empresa.
A segunda foi a criação da Ultranet, uma interface intuitiva que representava a própria Terra com fidelidade, combinando ao mesmo tempo vários serviços (algo parecido foi feito no início do século com o sistema chamado Second Life), que rapidamente substituiu a internet na navegação pela rede. O slogan do serviço era “A realidade está obsoleta”. De fato, a Ultranet apresentava um nível de detalhamento maior, no mundo digital, do que o que podia ser captado pelos olhos humanos, no mundo real.
E a terceira e última, no início de 2032, foi a produção e venda dos primeiros robôs domésticos, tecnologia desenvolvida pela filial da empresa no Japão. Além da qualidade excepcional, a reputação construída pela empresa naqueles quatro anos foi altamente responsável pela venda dos mesmos, supostamente em absoluto seguros por um sistema que colocava, acima de tudo, as três leis da robótica, concebidas por Isaac Asimov.
[continua]
sábado, 21 de junho de 2008
Poder de polícia
Poder de polícia: é o poder do Estado que permite restringir as liberdades individuais em nome do bem coletivo.Bem, vamos por partes pra ficar mais organizado. Decidi discutir esse tema depois do post do Thiago da semana passada, intitulado "Consumo Consciente?". De certa forma é um comentário desse post, embora eu queira aqui discutir a solução do problema, e não o problema em si.
Primeiro de tudo, concordo com a maioria das afirmações (embora sem compartilhar da mesma revolta). As cidades são realmente espaços finitos, com concentrações cada vez maiores de pessoas e, por conseqüência, de carros. Com o crescimento da renda, as classes de renda mais baixa tendem a abandonar o transporte coletivo e passar a usar automóvel. Mas aqui, eu acho que essa é, infelizmente, uma tendência natural das pessoas. Dificilmente, na possibilidade de usar o carro, elas optarão pelo transporte coletivo - para que isso acontecesse, seria necessário que o transporte coletivo tivesse muita qualidade, e/ou o uso do carro fosse menos compensador.
Eu não acredito que as pessoas sejam conscientes quanto ao coletivo. Talvez elas sejam, mas só um pouco - não o suficiente para que façam sacrifícios em nome do resto da cidade.
Além disso, li uma frase do Maluf (não se preocupem, não sou malufista, e acredito que felizmente o ex-prefeito está inelegível pelas grandes massas, o que é algo tranqüilizante para mim, vide o que eu penso sobre as eleições), que dizia "Carro é liberdade". Tenho que concordar. Não só no sentido de ir pra qualquer lugar que se desejar a qualquer momento, como no sentido da liberdade de se adquirir o que se quiser (ou melhor, puder pagar).
Independente de tudo isso, o problema nos transportes continua. Partindo das hipóteses que não se pode confiar que a consciência das pessoas quanto ao coletivo mude (pelo menos a curto prazo), e que a liberdade das pessoas deve existir, como solucionar esse problema?
Eu proponho, justamente, o "poder de polícia". Se a situação chega a um ponto que prejudica o coletivo, que sejam tomadas medidas, mesmo que sejam drásticas, para reverter isso. Aumento nos impostos, no IPVA talvez? Se um carro é capaz de comportar 4 pessoas quando só comporta uma, não seria, na teoria, mais justo que o dono desse carro pagasse, vamos dizer, quatro vezes mais? Quem sabe, uma taxação inteligente, variável diante do nível de saturação das vias da cidade? Talvez a ampliação do rodízio (essa semana mesmo, fiquei sabendo que caminhões pequenos estariam nele incluídos).
Imediatamente, haveriam reduções no uso do carro na cidade. Embora também houvesse maior demanda pelo já superlotado transporte coletivo, surgiria com essa demanda, a revolta generalizada da população, ansiando por um melhor sistema de transportes.
O ponto desse texto é o seguinte: as pessoas não são conscientes, e se já é difícil mudar a cabeça de uma pessoa, que dirá de milhões. Mas elas ainda respondem a incentivos - mesmo que eles sejam negativos. Dou aqui como exemplo, um caso que ouvi numa aula: em Los Angeles, as pessoas só passaram a demandar o transporte coletivo com a alta do petróleo (que aqui não foi repassada aos motoristas). Um outro exemplo, numa outra esfera, seria o Bolsa-Família. Uma cesta básica (creio que seja isso) por ter um filho, não é um incentivo ao crescimento populacional, e conseqüentemente um problema adicional aos sistemas de saúde e educação, já saturados e de baixa qualidade? Por que, ao invés disso, não incentivar o controle de natalidade? Talvez o Bolsa-Vasectomia ou o Bolsa-Trompas-de-Falópio (ou Ligadura-de-Trompas, mas o primeiro me parece mais engraçado)? Ou melhor, mesmo um benefício cumulativo pelo tempo em que uma família permanece sem filhos. Não seria essa uma boa forma de incentivar as pessoas, mantendo a liberdade delas?
Em resumo, por mais controlador que isso seja, eu proponho que a sociedade seja controlada, ou no mínimo melhor incentivada (positivamente ou negativamente), em prol do bem coletivo. Afinal, é por vivermos em sociedade que temos grande parte dos benefícios aos quais nos acostumamos. Deve haver alguém que zele por ela - se não forem as próprias pessoas, que seja quem está acima dela.
Agora, o problema é quem está acima dela.
sábado, 7 de junho de 2008
Fazendo uma ponte com um comentário n'outro blog
Vou explicar aqui um pouco do que estudei de engenharia de tráfego, que implica no assunto.
Mas o mais interessante: de acordo com o tamanho da família, é possível, a partir de uma fórmula, calcular a probabilidade que essa família tenha 0, 1, 2 ou mais carros. Nessa fórmula, é usada a taxa de crescimento anual da renda. Quanto maior a renda de uma família, maior será a probabilidade dessa família ter mais carros e, assim, efetuar mais viagens.
O ponto em que quero chegar: eu acredito que a ponte estaiada construída sobre o rio Pinheiros possa ter sido algo necessário para a cidade no momento. Meu amigo reclamou que o trânsito em sua rota aumentou, mas ao mesmo tempo, rotas alternativas se tornaram menos congestionadas. De fato, um novo caminho só pode melhorar o fluxo de veículos na cidade – a questão aqui é se esse investimento foi uma idéia inteligente, se a verba não poderia ser melhor aplicada. E para essa questão, eu sinceramente não tenho certeza da resposta, por isso o “possa” na primeira frase deste parágrafo.