Foi então que esse meu amigo me disse que a partir das 10, 10:30, os ônibus não circulam na USP – não sei se a informação procede; se estou falando besteira, me corrijam. Mas se for verdade, então eu estaria ferrado se estivesse sozinho à essa hora lá.
Mas enfim, o que eu mais quis discutir com ele foi sobre como essa ponte afetou o trajeto dele para sua casa, justamente porque alguns dias antes tinha debatido o seguinte assunto aqui pelos blogs e no MSN – a ponte construída era realmente necessária? E então, fiquei surpreso com as reclamações dele de que o trânsito na Roberto Marinho, que ele utilizava, tinha aumentado muito, principalmente por causa dessa ponte, que havia atraído usuários. Mas também ele me revelou que o trânsito em outros trajetos tinha melhorado.
Vou explicar aqui um pouco do que estudei de engenharia de tráfego, que implica no assunto.
Vou explicar aqui um pouco do que estudei de engenharia de tráfego, que implica no assunto.
Um dos modelos que os engenheiros usam para estudar os fluxos de viagens (no caso, usando o sistema viário) se baseia, essencialmente, nas regiões que mais produzem e atraem as viagens, que ainda podem ser de dois tipos: viagens com motivo de trabalho e com outros motivos (a passeio, pais buscando seus filhos nas escolas, etc).
Outros pontos que o modelo compreende são o número de pessoas por família, o número de carros de cada família, e quantas viagens as famílias costumam produzir, de acordo com o número de carros (uma família de 6 pessoas com 2 carros produzirá muito mais viagens em horário de pico – e a rede viária é dimensionada baseando-se nos horários de pico, que constitui o pior caso possível – que uma família com apenas uma pessoa e sem carro).
Mas o mais interessante: de acordo com o tamanho da família, é possível, a partir de uma fórmula, calcular a probabilidade que essa família tenha 0, 1, 2 ou mais carros. Nessa fórmula, é usada a taxa de crescimento anual da renda. Quanto maior a renda de uma família, maior será a probabilidade dessa família ter mais carros e, assim, efetuar mais viagens.
O ponto em que quero chegar: eu acredito que a ponte estaiada construída sobre o rio Pinheiros possa ter sido algo necessário para a cidade no momento. Meu amigo reclamou que o trânsito em sua rota aumentou, mas ao mesmo tempo, rotas alternativas se tornaram menos congestionadas. De fato, um novo caminho só pode melhorar o fluxo de veículos na cidade – a questão aqui é se esse investimento foi uma idéia inteligente, se a verba não poderia ser melhor aplicada. E para essa questão, eu sinceramente não tenho certeza da resposta, por isso o “possa” na primeira frase deste parágrafo.
Mas o mais interessante: de acordo com o tamanho da família, é possível, a partir de uma fórmula, calcular a probabilidade que essa família tenha 0, 1, 2 ou mais carros. Nessa fórmula, é usada a taxa de crescimento anual da renda. Quanto maior a renda de uma família, maior será a probabilidade dessa família ter mais carros e, assim, efetuar mais viagens.
O ponto em que quero chegar: eu acredito que a ponte estaiada construída sobre o rio Pinheiros possa ter sido algo necessário para a cidade no momento. Meu amigo reclamou que o trânsito em sua rota aumentou, mas ao mesmo tempo, rotas alternativas se tornaram menos congestionadas. De fato, um novo caminho só pode melhorar o fluxo de veículos na cidade – a questão aqui é se esse investimento foi uma idéia inteligente, se a verba não poderia ser melhor aplicada. E para essa questão, eu sinceramente não tenho certeza da resposta, por isso o “possa” na primeira frase deste parágrafo.
Citei o crescimento na renda, que de fato é usado como variável crucial no modelo de estudo dos fluxos de viagens, pois ele exemplifica como outro crescimento, o da frota de veículos, pode ser difícil de se evitar. Com o aumento da renda, é razoável que se espere esse crescimento. Só mesmo um transporte público de muita qualidade – e isso talvez torne-se especialmente difícil de se fazer (ou ao menos demorado) num país como o Brasil e numa cidade como São Paulo – poderia reverter esse quadro.
Não estou dizendo que o aumento na malha viária seja a solução para os problemas de transporte em geral – de fato, o transporte público, o metrô mais especificamente, é a solução mais adequada a longo prazo. Mas não se pode ignorar o aumento do fluxo de automóveis; chega um ponto em que certas obras se tornam necessárias. Novamente não estou dizendo necessariamente que a ponte foi a solução mais inteligente em termos de custo-benefício (sendo o benefício, aqui, a melhora no fluxo de viagens), estou dizendo apenas que ela pode ter sido.
O que eu acredito, em suma, é que as decisões que são tomadas, como por exemplo, a construção dessa ponte, são feitas após minuciosos estudos por parte dos engenheiros (usando modelos como o exemplificado), principalmente por haver tanto dinheiro em jogo. O que pode acontecer, é que essas decisões estejam equivocadas. E aí há exemplos como do metrô da linha 5-Lilás, muito pouco usado (na verdade não se se continua assim).
A respeito da obra como um “cartão-postal” da cidade. Muitos acharam isso um desperdício de dinheiro, mas eu acho válido termos obras não só funcionais, mas também bonitas na cidade, que inclusive carece disso. E eu não tenho certeza, mas talvez a diferença de um projeto de arquitetura mais elaborada para um projeto simples talvez não fosse tão grande, na questão do preço.