sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Trodonte - Mitologia [parte 2]
sábado, 22 de novembro de 2008
Trodonte - Mitologia
Ordox é a ordem, o progresso e o desenvolvimento de todas as coisas. Caox é a desordem, a destruição e a involução de todas as coisas, mas também pode ser interpretado como a constância.
Após os primogênitos, Gox gerou, também por brotamento, mais quatro prossaurópodes. Eram estes os quatro elementos primordiais: Piros (o fogo), Lithos (a terra), Aeros (o ar), e Hidros (a água).
Os seis irmãos vivem nas costas de Gox, o qual não cessa sua caminhada.
Desde o nascimento conjunto, os irmãos primogênitos Ordox e Caox se completavam. Ordox criava seres, sensações, monumentos e outras tantas coisas fabulosas e impensáveis por qualquer trodonte da época moderna (mas nunca imprevistas por Agox, que na verdade era a fonte de todas essas coisas). Caox, por sua vez, tinha a tarefa inata de destruí-las, uma por uma, reduzindo-as ao nada como se nunca tivessem existido. Os irmãos permaneciam neste ciclo, aparentemente perfeito e equilibrado.
Porém, num dado momento, Ordox convenceu-se que, na verdade, não havia um equilíbrio. Que, na realidade, havia a constância do ciclo construção-destruição em si. Decidido, dominou seu irmão, imobilizando-o e prendendo-o ao chão.
Desde que Ordox imobilizou Caox, os dois permanecem praticamente parados. O tempo sem se mexer fez com que Ordox, o único com os pés no chão, criasse raízes que penetraram fundo nas costas de Gox. E foi isso que possibilitou, a princípio, o desenvolvimento do planeta, da vida e da civilização trodonte.
[continua]
PS.: Me desculpem pelos nomes ridículos, não tive tempo (ou saco) pra procurar (ou pensar em) nomes legais. Mas fica aí a idéia.
sábado, 6 de setembro de 2008
Trodonte - Capítulo 5
Zauros, provavelmente, era o nome mais comum que um indivíduo poderia ter na época da imponente civilização trodonte. Dentre os milhares de dinossauros cuja alcunha era essa, estava Zauros Raptori.
Zauros Raptori era um trodonte com escamas em grande parte marrons, e em razoável parte verdes. O brilho dessa derme denotava seus 16 anos de idade, completados não fazia um mês. Seu porte era esguio; seus músculos, nem muito grandes para que fosse considerado um brutamontes, nem muito pequenos de forma que não fosse chamado para carregar um grande peso.
O jovem se vestia, como a maioria de seus semelhantes, com roupas de couro de outros dinossauros, estes bestas grandiosas. As peles de pterossauros como o Pteranodon e pequenos mamíferos como o Megazostrodon eram uma exclusividade das elites, que tinham os meios e as ferramentas para extrair essas dermes de seus possuidores e, além disso, costurá-las de forma elegante.
Zauros morava com seus pais e irmãos em uma grande fazenda de samambaias a alguns quilômetros da vila de Kwalish – uma cidade pequena para os padrões do reino de Écope. Seu pai era um ex-militar, perito em estratégias de guerra com grandes dinossauros. Sua mãe, enquanto isso, havia ajudado, a maior parte da vida, o avô de Zauros, a cuidar da fazenda. Já fazia em torno de 5 anos que o avô de Zauros, um caçador de dinossauros, havia falecido.
Foi o avô que despertou em Zauros o sonho de se tornar um caçador de dinossauros. O velho senhor, que possuía o mesmo nome de seu neto, havia ensinado-lhe os princípios básicos da caça, que o adolescente passou, e continuava passando a seus irmãos depois que ele morreu. Mas individualmente, Zauros não se contentou com o básico. Treinava todos os dias, sempre que tinha um tempo. Lia livros e mais livros com histórias e técnicas de grandes caçadores. Inclusive, andava dezenas de quilômetros, nas raras vezes nas quais podia, para conseguir as leituras que só se encontravam na grande capital.
As plantações de samambaia que a família cuidava eram uma herança do avô de Zauros. O caçador, que em vida era um integrante da Guilda, havia comprado aquele terreno assim que havia juntado dinheiro suficiente. Essa era, aliás, a motivação de muitos dos caçadores mais comuns – os lucros da caça poderiam ser rápidos, permitindo a estabilidade financeira para toda uma vida. No caso do avô de Zauros, o processo havia sido um pouco mais lento, mas assim que ele acumulou uma certa quantia de dinheiro, deixou a perigosa profissão.
Zauros, por sua vez, via a coisa de uma maneira diferente. O avô certamente gostava do que fazia, mas não gostava de assumir riscos. Zauros havia sido fascinado pelas caçadas, mesmo que poucas e de baixo risco, que tinha feito junto de seu avô. O jovem trodonte pensava, um dia, em viajar aos quatro cantos do mundo; em perseguir, junto a outros caçadores da Guilda, os mais ferozes e lendários dinossauros. Certamente não queria fama ou dinheiro – apenas a satisfação individual, a emoção de caçar os grandes dinossauros do Cretáceo.
Zauros Raptori estava prestes a começar sua jornada, que viria a ser profundamente diferente do que ele imaginava.
sábado, 2 de agosto de 2008
Trodonte - Capítulo 4
Alguém me carregou até aqui, essa é a única possibilidade. - pensou o experiente caçador trodonte.
As explicações para o fato dele estar num lugar diferente do qual havia desfalecido rapidamente cederam lugar ao enorme carnívoro como sua principal preocupação.
Talvez ele não tenha me percebido ainda! – Celeber tentava permanecer calmo. Já havia passado por situações certamente piores que essa, e se saído extraordinariamente bem. Ensaiou girar o corpo, para lentamente sair de perto do animal, com a destreza e a tranqüilidade necessárias para não alertar o enorme predador.
Sentiu então uma dor extrema no joelho direito, ao movimenta-lo. Suprimiu com todas as forças um grito, rangendo os dentes. Olhou para a perna. Espantou-se ao ver um grande hematoma cobria a região da rótula.
O que diabos é isso?! – pensou, com surpresa. Teria se machucado ao cair no chão? Olhou novamente para o enorme carnívoro que ameaçava sua vida. A criatura fitava a floresta quase que na direção oposta. Se virasse e então percebesse movimentos bruscos por parte do caçador, certamente avançaria em sua direção. Com os movimentos impedidos, suas chances de sobrevivência diminuíam.
Minhas armas! – veio a idéia e, por um instante, o caçador teve esperança. Sem tirar os olhos do enorme carnívoro, deslocou as mãos até onde estariam os famosos piquetes dos caçadores. Esses piquetes eram uma opção formidável de ataque para distância curtas. Consistiam de uma estaca de metal, que era encaixada num compartimento tubular com uma mola no fundo. A mola, quando comprimida até certo ponto, era contida firmemente por uma trava. Com o simples apertar de um botão, a trava era liberada e a estaca, lançada.
Mas Celeber entrou em pânico novamente. Os piquetes, haviam sido levados. Aliás, agora que tinha se dado conta. Seu arco, as flechas e todos os seus outros itens, nenhum deles estava com o caçador.
Alguém me deixou aqui para morrer! – a assustadora conclusão tomou sua mente. A perna machucada e a ausência das armas confirmavam tudo. Mas porque teriam feito isso?
Não podia pensar nessas coisas agora. Tinha que pensar em sair dali em segurança.
Talvez, quem quer que tenha feito isso, tenha esquecido de alguma coisa! – passou a vasculhar seus bolsos mais escondidos. Com alívio, encontrou um volume num compartimento da calça, localizado na parte da vestimenta que cobria o terço superior da cauda.
Subitamente, o enorme predador virou o pescoço na direção do trodonte. O sangue do caçador congelou. A criatura deu um passo em sua direção, e Celeber sentiu o chão tremer. O trodonte tentava tirar, com desespero, o que estava encaixado naquele bolso da cauda. A criatura se aproximava cada vez mais. Celeber passava a se arrastar instintivamente para longe dela, chegando bem próximo do lago. O enorme predador já estava a alguns metros, quando o caçador, com o coração disparando, finalmente conseguia tirar o item guardado em seu bolso justo.
Assim que removeu o objeto do bolso, este se acendeu. O que Celeber esperava que o salvasse era um frasco com um óleo incandescente, assim como o piquete, uma das armas dos caçadores. Na base do frasco, uma tira com fósforo estava colada – quando o tubo era removido do bolso, a tira se atritava com um anel áspero na boca do bolso, sendo acesa imediatamente.
A criatura que ameaçava Celeber estranhou aquela fonte de luz em sua mão direita, mas se deteve por só um instante. Avançou na direção do trodonte.
Te peguei! – falou em pensamento o caçador, esboçando um sorriso e atirando o frasco no dinossauro. O recipiente se chocou no peito do animal, quebrando-se e espalhando o líquido em sua fronte, que imediatamente ficou em chamas. A criatura, com a dor da queimadura, cambaleou e caiu no chão, esfregando os braços de maneira desajeitada contra o peito, querendo se livrar do enorme incômodo.
Celeber levantou-se como pode, e, arrastando a perna machucada, se afastava triunfante, porém ainda não totalmente seguro. Novamente os pensamentos do que havia acontecido voltaram à sua mente.
Os figos! – a verdade veio como um relâmpago em sua cabeça. Não podia ser uma coincidência. Alguém havia intencionalmente envenenado os figos com alguma substância entorpecente. Esse alguém provavelmente teria sido a mesma pessoa que havia carregado ele até aquele local, próximo do predador – ou quem sabe, do caminho que ele seguiria. O agressor teria tirado todas as suas armas e machucado sua perna, para garantir que ele não sobrevivesse ao encontro com a fera.
sábado, 26 de julho de 2008
Trodonte - Capítulo 3
- E você acha que conseguiríamos abater os dois filhotes? – perguntou Decus, o trodonte designado como Monitor do grupo. O assistente de Celeber, que era efetivamente o líder da expedição, referia-se claramente aos dois filhotes de Baryonyx que o grupo havia avistado no dia anterior.
Não só os herbívoros, mas também os carnívoros eram caçados pelas equipes da Guilda dos Caçadores – embora sua utilização fosse deveras diferente: as ferozes criaturas eram usadas prioritariamente como guardas das grandes propriedades, e como oponentes de gladiadores nas arenas. Evidentemente, a caça de filhotes era muito mais fácil que a dos dinossauros adultos. Além disso, o adestramento de dinossauros carnívoros adultos era praticamente inviável.
- Eu creio que sim. – respondeu Celeber ao companheiro, enquanto tirava de sua mala de couro, os figos dos quais a dupla faria a refeição da tarde. Logo entregou a Decus três ou quatro deles. – Precisamos apenas arrumar um jeito de separar os filhotes dos pais.
Os dois continuavam a conversa, debatendo agora não só as estratégias para caçar o grupo de estegossauros, como também para pôr as mãos naqueles dois filhotes de Baryonyx – uma oportunidade que havia surgido durante a expedição e que, dado o valor comercial da espécie de carnívoro em questão, não podia ser ignorada. Saboreavam os figos com calma, sem deixar de prestar atenção aos movimentos do bando de estegossauros. Afinal, qualquer um deles poderia disparar em direção do grupo de caçadores, sem motivo aparente.
Foi então que, abaixo deles, no solo, surgiu repentinamente Thescella. A trodonte parecia cansada, ofegando enquanto apoiava-se numa árvore. Celeber e Decus se entreolharam, e desceram rapidamente da árvore sobre a qual estavam.
- Thescella, você está bem? – perguntou com sincera preocupação Celeber. Decus tirava, enquanto isso, uma moringa com água de sua mala de couro.
- Os figos… - disse a trodonte, com muito esforço. Logo perdeu seu apoio e foi ao chão, apoiando-se com a outra mão. Os dois trodontes se entreolharam, ainda processando o que ela havia dito. – Não com… Mmmph…
Thescella tentou completar a frase, mas, sem forças, foi aos braços de Celeber, que a segurou como pôde.
- Thescella, o que você tem? Thescella! – disse o dinossauro, tentando acordar a caçador. Tentava posicionar o corpo da jovem, e estranhou que o Monitor não estivesse ajudando-o. Atento à desfalecida, chamou pelo companheiro. – Decus, me ajude aqui!
Entretanto, o amigo de Celeber olhava aos arredores, parecendo como se estivesse tentando elaborar uma estratégia. O famoso caçador, vendo isto, estranhou. Não entendia por que ele não o ajudava com Thescella, que parecia ter sofrido um mal-estar.
- Os figos estão contaminados! – disse subitamente Decus. Celeber caiu na real. Thescella tinha tentado avisa-los antes de desmaiar. E ele, tão preocupado com a conterrânea, não atentou às suas palavras, convencido de que ela havia sofrido apenas um mal-estar. – Eu vou ver se todos estão bem, me ajude a subir!
Celeber ajudou seu companheiro a escalar novamente a árvore. Mas mal subiu nela, Decus sentiu seus braços fracos. Os figos contaminados estavam fazendo efeito. Soltou-se da árvore e se concentrou, tentando inutilmente não desmaiar.
- Decus! – exclamou Celeber. Sabia muito bem dos perigosos que os dois corriam ali, se fossem encontrados por predadores. E logo ele também desmaiaria, embora tivesse comido apenas um dos figos. Em seus braços, o Monitor esforçava-se para falar. – Deixe-me aqui, leve só a garota! Antes que você também desmaie!
Apesar da experiência, o famoso caçador estava assustado. Nunca havia passado por isso antes. Decus desmaiou em seus braços. Lembrou-se rapidamente das regras: “se o grupo estiver parcialmente incapacitado, todos devem ficar juntos e num lugar protegido, para melhorar as condições de sobrevivência.”. Mas como aplicaria as normas da Guilda numa situação como aquela? Provavelmente, todos estariam desfalecidos àquele hora.
Seu amigo havia pedido-lhe que levasse apenas a jovem Thescella, mas Celeber não podia deixa-lo. Com razoável esforço, começou a arrastar os dois trodontes até a clareira onde o grupo se encontrava. Eram só algumas dezenas de metros, mas pareciam quilômetros para o Mestre de Caça. Ainda sem avistar a clareira, começou a sentir a fraqueza que os figos contaminados lhe causavam. Dobrou os esforços. Faltavam apenas alguns metros. Quando chegou perto do grupo, caiu no chão, tonto e ofegante.
Seus olhos pesavam. Não podia mover um músculo sequer. Sem forças, adormeceu.

O grande lago no centro da floresta de coníferas era o ambiente perfeito para que um bando de dinossauros bico-de-pato matassem a sede. O Baryonyx, nas margens do outro lado, não os preocupava. De todo o modo, o carnívoro os ignorava, enquanto tentava arrancar, com custo, os restos de alguma criatura que estavam presos debaixo de um tronco.
A dez ou quinze metros dele, um trodonte estava caído no chão.
Celeber abriu os olhos, entorpecido. A luz lhe ofuscou a vista por um momento. Pensou por um momento em que lugar estaria. Sentiu a areia grossa das margens do lago em seu rosto, e a brisa característica. A mesma lhe trouxe os odores de carne apodrecida. Pô-se em alerta, e virou a cabeça lentamente na direção oposta. Arregalou os olhos , enquanto um medo avassalador tomou sua face por completo.
sexta-feira, 25 de julho de 2008
Trodonte - Capítulo 2
Nessa antiga sociedade, uma instituição destacou-se por sua excelência na caça de dinossauros. Era a Guilda dos Caçadores, um grupo de trodontes espalhados por todo o mundo que, por algumas moedas de ouro, estavam dispostos a arriscar suas vidas no que era considerado, ao menos em seus livros, como uma arte: o rastreio e o abatimento daquelas incríveis criaturas.
O grupo que penetrava na floresta de coníferas ao norte do que hoje é a Inglaterra, não diferente de qualquer outro grupo que obedecia às ordens da Guilda dos Caçadores, era chefiado por um trodonte mais experiente na profissão, denominado pelas normas como Mestre de Caça. Esse líder, exatamente por sua experiência, normalmente postava-se à frente do grupo, em geral num ponto intermediário entre este e qualquer bando que os caçadores, costumeiramente, estivessem seguindo. Junto dele ficava o segundo caçador mais experiente do grupo, denominado também pelas normas como Monitor. O objetivo desse posicionamento era verificar com antecedência qualquer mudança de direção que os dinossauros pudessem fazer, sem entretanto assustar os animais com uma presença numerosa de caçadores, que por mais silenciosos que fossem, não passavam despercebidos aos sentidos mais aguçados das criaturas.
O nome do Mestre de Caça do grupo que seguia os estegossauros era Celeber. Seu porte era avantajado; seus músculos, bem definidos. As escamas eram amareladas e marrons, parecidas com as de Thescella – de fato, tinham a mesma origem, o Extremo Leste da Laurásia, o continente oriental da Terra ao fim do Cretáceo. Inclusive, a origem coincidente permitiu que eles se tornassem extremamente próximos durante o período da caçada, por mais que Celeber fosse uma figura famosa na Guilda, enquanto Thescella era apenas uma caçadora em treinamento, no caso, ainda em suas primeiras caçadas em campo.
Celeber já havia matado monstros que muitos dos integrantes do grupo apenas sonhavam. Um Tyranosaurus e um crocodilo gigante do Mesozóico, o Deynosuchus, eram alguns dos exemplares que o caçador gabava-se em ter derrotado. Inclusive, o orgulho com o qual ele contava suas histórias era sua marca registrada – e poucos o chamavam de convencido, pois além de merecer as glórias, ele recitava suas aventuras de maneira extremamente carismática.
O Monitor de Celeber, na ocasião, era um caçador quase tão experiente quanto ele, mas não tão famoso quanto. Seu nome era Decus. Era conhecido na Guilda por sua honra, e pelo respeito com o qual tratava os dinossauros caçados – Decus era a síntese do que os livros chamavam de “Comunhão Caça-Caçador”. Talvez por isso mesmo, não havia se lançado nas chamadas Caças Livres – quando um caçador ou grupo de caçadores abatia um animal apenas para aumentar sua graduação dentro da Guilda. As Caças Livres eram importantes para caracterizar o que um trodonte era capaz de fazer dentro da profissão. A relação de animais relevantes caçados por um integrante da Guilda era, muitas vezes, estudada pelos seus contratantes antes que estes lhe dessem os recursos e fizessem os pagamentos adequados relativos a uma expedição. Mas Decus, aparentemente, contentava-se com suas riquezas, que, assim como as de muitos caçadores, era suficiente para uma boa vida; e dessa forma, não almejava uma graduação alta, apesar de que esta já passava a se tornar, dados seus anos e anos de serviço.
Celeber, o Mestre de Caça e Decus, seu Monitor, estavam a apenas algumas dezenas de metros do grupo, que descansava numa pequena clareira. De longe, podiam observar claramente um conjunto de 5 a 10 estegossauros, que pastavam tranqüilamente. Ao mesmo tempo, aproveitavam a calma do momento para fazerem sua própria refeição – como o grupo, apenas alguns figos.
sábado, 24 de maio de 2008
Trodonte - Capítulo 1
O curioso grupo vestia roupas de couro de diferentes cores, de diferentes animais caçados em torno de todo o mundo. Essas roupas, tais quais as roupas humanas, destinavam-se primariamente à cobertura das pernas e do tórax, com a diferença que as calças desses dinossauros possuíam uma terceira abertura, de diâmetro um pouco maior, para a cauda.
O grupo de caçadores aproveitava a pausa comendo figos, uma das frutas que já existia no cretáceo. Já estavam em caçada há uma semana, e esta já se mostrava produtiva. Dois estegossauros havia sido habilmente separados do bando e abatidos, mais ainda faltava encontrar um dos ninhos das criaturas para coletar seus ovos.
- Bem, eu não vi exatamente na hora em que você atirou, eu estava do outro lado. Mas sim, depois eu vi o ferimento, bem acima do ombro, antes de darmos o golpe de misericórdia. Mas por que você não acertou a cabeça primeiro? – perguntou o segundo caçador, enquanto procurava algo em sua mochila.
- A cabeça do estegossauro é pequena. – continuou, gesticulando com as mãos, quase como um professor empolgado – É aí que entra minha teoria.
O segundo caçador fez uma cara de leve surpresa, mas no fundo desconfiando das habilidades do colega. Tirou então uma moringa da mala, junto de dois copos. Serviu a si mesmo e ao falante colega de água, pegando então um figo e cortando-o para melhor mastiga-lo.
- Bem, na verdade, minha teoria não – seguiu na explanação o primeiro caçador. – Já encontrei muitos caçadores que dizem ter caçado estegossauros do mesmo jeito. A teoria diz que existe um ponto fraco logo acima do ombro desse dinossauro. Você viu o quão rápido ele caiu, logo com a minha primeira flecha?
O companheiro assentiu com a cabeça. Era verdade, o estegossauro havia caído excepcionalmente rápido para uma flecha que havia acertado o ombro.
- E você disse algo sobre isso… - foi então que o segundo trodonte sentiu uma repentina sonolência. Estranhou muito aquilo. Esfregou os olhos, mas de nada adiantava. Agora parecia meio tonto, entorpecido. Logo sua visão começava a falhar.
- Você está bem? – perguntou o primeiro trodonte. Segurou o amigo com as duas mãos pelos ombros, um segundo antes dele desmaiar em seus braços.
Confuso, o primeiro trodonte, então, começou a sentir o mesmo que o amigo. Ficou em pânico ao olhar em volta. Haviam mais dois do grupo caídos. Ele botou o companheiro no chão e tentou alguns passos, mas caiu no chão, desfalecido. Antes de cair, olhou para a mão do companheiro, e então entendeu a causa daquilo: os figos.
sábado, 10 de maio de 2008
Sobre o uso de dinossauros no campo de batalha (parte 2)
O uso dos saurópodes no campo de batalha se justifica por dois motivos: a posição privilegiada que eles dão aos arqueiros e a invasão de fortalezas e áreas protegidas em geral.
Mas talvez o uso mais extraordinário dessas criaturas seja na invasão de fortalezas. Mesmo muralhas com 15 metros de altura não podem impedir o avanço de um exército que esteja empregando alguns Brachiosaurus, por exemplo, afinal os soldados trodontes facilmente escalarão pelo dorso do dinossauro, se este for corretamente posicionado. Além disso, esses animais podem transportar facilmente tropas de elite inteiras, com algumas dezenas de soldados, pelo campo de batalha.
O uso desses dinossauros, entretanto, é o mais caro entre todos, devido às dificuldades na criação e também à armadura que deve ser empregada para protege-los, principalmente nas pernas, pois se estas forem seriamente golpeadas a criatura virá abaixo sem poder mais se levantar, e no pescoço, onde uma simples lança pode significar a morte. Além da armadura é importante cercar este dinossauro com outros dinossauros para protege-lo, como os anquilossauros ou ceratopsídeos.
A armadura, vale lembrar, deve ser especialmente produzida por ferreiros especializados, pois além de proteger, deve garantir que os soldados trodontes possam se apoiar e/ou andar sobre ela sem dificuldades.
Os saurópodes mais empregados no campo de batalha são:
- O Brachiosaurus, a espécie maior, com até 23 metros de comprimento e por volta de 80 toneladas de peso;
- O Shunosaurus, uma espécie menor (até 14 metros de comprimento e 9 toneladas de peso), porém com o diferencial de ter uma clava óssea na cauda, melhorando sua capacidade de defesa;
- O Diplodocus, uma das espécies mais compridas com cerca de 27 metros, e não tão pesada, cerca de 20 toneladas; a cauda deste dinossauro pode ser utilizada como chicote a fim de abater outras bestas.
Galimimos
Os tipos mais usadas como montaria de combate são:
- O Galimimus, de 3 a 4 metros de comprimento, e que alcança os 50 km/h;
- O Dromiceiomimus, também de 3 a 4 metros de comprimento, mas que alcança até 60km/h.
Pterossauros
Os répteis voadores constituintes do grupo dos pterossauros são difíceis de se adestrar e por isso caros, mas o uso deles pode ter importância estratégica em certas batalhas.
Apesar do tamanho, essas criaturas são muito leves (o maior deles não ultrapassa os 100 kg de peso), o que justamente lhes garante a capacidade de voar. Mas isso torna também inviável o transporte de mesmo um único soldado.
Os principais pterossauros empregados são:
- O Pteranodon, com 8 metros de envergadura das asas e cerca de 20 kg de peso; algumas linhagens desses animais são capazes de carregar por volta de 5 kg de peso;
- O Quetzalcoatlus, com até 14 metros de envergadura das asas (sendo a maior espécie) e cerca de 100 kg de peso; o peso máximo que já foi observado uma criatura dessas carregar foi de 20 kg.
Apêndice – O montador
O montador de dinossauros merece destaque especial. Ele será constantemente visado no campo de batalha pelos arqueiros inimigos, afinal é o único capaz de controlar sua criatura, e sem ele, ela se torna inútil.
sábado, 26 de abril de 2008
Prólogo - O desenvolvimento de uma civilização
Foram necessários apenas alguns milhões de anos (diante das proporções titânicas das eras geológicas) para que aquelas criaturas da savana despertassem para a consciência.
Mas esse despertar, de forma alguma, não foi precedido por grandes saltos evolutivos que acabaram, muito tempo depois, por definir o que é um animal, e o que é um ser inteligente. Dentre eles, um dos dedos opondo-se aos outros, permitindo o manuseio de objetos, de armas, de equipamentos. Também a caça em conjunto, potencializada pela visão binocular dos indivíduos, cada vez mais aguçada e permitindo a melhor percepção da profundidade. Outro exemplo, a capacidade de se comunicar, de criar e transmitir cultura através das gerações.
Após esse despertar, passaram-se alguns milhares de anos. Foi descoberto o fogo, a cerâmica, entre outros artifícios. Conjuntamente chegou a época em que aquelas criaturas se organizavam em numerosas tribos, aumentando a capacidade de sobrevivência em meio ao ambiente hostil, repleto de bestas de dentes afiados. As tribos não demoraram a se tornar cidades, quando aquelas criaturas descobriram que podiam plantar seus próprios vegetais, em vez de colhê-los. Ou mesmo criar, em vez de caçar, os pequenos animais do qual obtinham a nutritiva carne.
Até mesmo os assustadores monstros, não pareciam mais tão assustadores assim, quando criados desde o nascimento. As espertas criaturas da savana não mais precisavam caminhar, pois montavam nas bestas mais ágeis, ou mesmo nas mais portentosas. E as que não podiam ser domesticadas, eram caçadas por aqueles que não as temiam – aqueles que mantinham sua conexão com o passado animalesco, mas bem faziam uso de sua inteligência para permanecerem sempre como caçadores, e nunca como caça, em lugares nos quais, para a maioria daqueles da cidade, isso parecia impossível.
Passados mais alguns milhares de anos, eles se espalharam aos milhões pelas extensões continentais. As cidades cresceram e prosperaram, formando metrópoles onde os indivíduos produziam e comercializavam incessantemente. A tecnologia se desenvolvia lenta, mas continuamente. O mesmo acontecia com a guerra. Finalmente veio a interessantíssima época em que aquelas criaturas colidiam suas espadas, atiravam suas flechas e montavam suas bestas magníficas em nome de poderosos impérios.
Era então um mundo em pleno desenvolvimento, mas ainda em grande parte inóspito e perigoso. Aquelas criaturas haviam adquirido a inteligência, haviam se reunido e prosperado em seus domínios, mas ainda eram inocentes como civilização. Tal qual se repetiria, muito tempo depois.
Afinal, aquelas criaturas viveram 65 milhões de anos antes do primeiro homem.